Os sonhos constituíram uma fonte de fascínio durante séculos. Desde a antiga crença de que os sonhos permitem prever o futuro, até a atitude mais moderna que procura determinar o significado dos sonhos. Todos nós sonhamos durante três ou quatro períodos do nosso sono de todas as noites. Se conseguirmos recordar os nossos sonhos, notaremos que parecem ser apenas um amontoado de imagens sem qualquer sentido, por vezes ligadas a uma emoção bastante forte ou a uma história não inteiramente lógica mas com alguma coerência interna.
A Interpretação e o simbolismo dos sonhos
Os seus sonhos podem fornecer-lhe muitas informações sobre si próprio. Eles tendem a funcionar como metáforas e, neste sentido, pode se muito útil saber a interpretação e o simbolismo dos sonhos.
Como interpretar os sonhos
Todas as pessoas sonham todas as noites, embora de manhã raramente se lembrem do que sonham. Por isso, quem diz que nunca sonha, está enganado: os estudos demonstram que cerca de metade do tempo do nosso sono é ocupado com sonhos. Por isso, é sempre útil saber como interpretar os sonhos. Frequentemente eles passam mensagens importantes do inconsciente.
O que os sonhos podem revelar
Os sonhos podem revelar o que desejamos e talvez até o que necessitamos. Por vezes assinalam as nossas inseguranças e desequilíbrios ou os problemas da nossa vida que devemos enfrentar e resolver.
A sabedoria dos sonhos
Alguns sonhos respeitam aos desejos que gostaríamos de ver realizados; mas é possível sonhar sobre aquilo que não se deseja ou de que se tem medo. 0 que desejamos não é necessariamente aquilo de que de facto necessitamos — o inconsciente pode sublinhar algo que nos interessa fazer, mas que não corresponde exatamente ao que desejaríamos fazer. Por exemplo, pode acontecer que tenhamos uma divergência em relação a uma certa pessoa, mas os nossos sonhos indicarem-nos que a reconciliação com essa pessoa nos seria mais útil. Preste atenção: os sonhos são muitas vezes mais sábios do que o seu consciente.

Sonhos que revelam insegurança
Todos temos razões para nos sentirmos inseguros e é natural tentarmos compensar e esconder essa insegurança. No entanto, os nossos sonhos continuarão a revelar a nossa insegurança. Muitos sonhos referem-se com efeito à sexualidade, que se encontra na base da insegurança de muitas pessoas. Por exemplo, no caso de um homem, um sonho acerca de um lápis partido ou de uma chaminé demolida pode indicar um receio de impotência.
Os
sonhos recorrentes tendem a ocorrer porque dizem respeito a receios e
inseguranças muito profundos. Se tem estes sonhos convém examiná-los
cuidadosamente. Procure descobrir o que o sonho significa e o que poderá
fazer a fim de tentar resolver a situação retratada no sonho.
Habitue-se
a escrever de imediato aquilo que sonhou quando acorda. Tome nota das
suas sensações e impressões, e ainda de quaisquer cores, números ou
nomes que tenham surgido no sonho. Tudo isto pode ser muito importante
para a interpretação dos seus sonhos.

Sonhar com queda
Os sonhos em que se cai revelam insegurança. Podem também indicar que se está a ficar apaixonado ou a cair em tentação. No seu caso concreto, significará que está a perder uma situação de bem--estar, que tem um problema espiritual ou que está a perder uma posição de poder? Tente recordar-se de onde está a cair, e onde e como cai.
Simbologia nos sonhos
Muitas serpentes são venenosas mas, apesar disso, a serpente é usada como símbolo da medicina. Representa a sabedoria, mas também a tentação — como no episódio de Adão e Eva no Paraíso. Pode também representar a sexualidade. Mas, por exemplo, uma serpente com a cauda na boca é o símbolo da eternidade e da reencarnação.
Como interpretar os sonhos
Todas as pessoas sonham todas as noites, embora de manhã raramente se lembrem do que sonham. Por isso, quem diz que nunca sonha, está enganado: os estudos demonstram que cerca de metade do tempo do nosso sono é ocupado com sonhos.
Sonhar é necessário para o funcionamento normal do cérebro, e tem sido aventado que dormimos para podermos sonhar e que alguns sonhos podem conter informação exata quanto ao futuro. Porém, em primeiro lugar são necessárias algumas palavras em relação aos sonhos não proféticos. É evidente, a partir dos sonhos que nos lembramos, que alguns - talvez a maioria - são versões de acontecimentos que já se deram. poderão aparecer pessoas e lugares que nos são familiares; ou o ponto de partida de um sonho ser um programa de televisão visto recentemente ou um romance acabado de ler.

Existe a teoria de que esses sonhos arquivam os eventos do dia na memória. Por outro lado, os problemas de saúde podem provocar sonhos muito intensos, mesmo que a situação não passe de uma indigestão. Mas acontecimentos reais abrem caminho nos sonhos: se sentir frio na cama poderá sonhar com neve e icebergs, e se ouvir a campainha da porta é capaz de sonhar que está a abri-la.
Mas existe uma grande percentagem de sonhos que não é facilmente explicada nestes termos. Esses sonhos poderão ter previsões de acontecimentos futuros. A oniromancia, isto é, a adivinhação por meio de sonhos, é uma arte muito antiga. É descrita na Epopeia de Guilgamesh, uma antiga lenda da Mesopotâmia que pode ter tido origem em 2500 a.C.. Também a bíblia faz muitas referências a sonhos proféticos, das quais os mais conhecidos são os sonhos interpretados por José no livro do Génesis (cap. 40-41).
A crença no poder profético dos sonhos é abrangente, sendo encontrada em quase todas as culturas. Os antigos romanos e gregos faziam regularmente o registo e a interpretação dos sonhos. O escrito grego Artemidoro escreveu o primeiro livro conhecido acerca do assunto por volta de 140 d.C.. Este livro atribuía um simbolismo bastante simplista às imagens oníricas, que veio a prevalecer até ao século XIX.
A Interpretação e o simbolismo dos sonhos
Os seus sonhos podem fornecer-lhe muitas informações sobre si próprio. Eles tendem a funcionar como metáforas e, neste sentido, pode se muito útil saber a interpretação e o simbolismo dos sonhos.
Os sonhos e a História
Por vezes os sonhos são apenas uma repetição de acontecimentos da nossa vida, mas geralmente contêm uma história própria combinada com imagens bastante vivas. O adivinhador romano do século II, Artemidorus, escreveu que «os sonhos e as visões são dados aos homens para sua vantagem e instrução», mas avisou igualmente que «o mesmo sonho nem sempre tem um significado idêntico para diferentes casos e diferentes pessoas».
O livro dos sonhos
Alice, de Lewis Carroll, apresenta as criaturas fantásticas, os estranhos acontecimentos, as conversas confusas e a lógica alterada, que tantas vezes aparecem nos nossos sonhos. Esta ilustração, intitulada Alice e a Rainha Vermelha, deve-se a Yohn Tenniel (1820-1914).

Como interpretar os seus sonhos
Sigmund
Freud descreveu vários símbolos sexuais que aparecem muitas vezes nos
nossos sonhos, e Carl Jung afirmou que muitos dos símbolos que aí surgem
parecem ser comuns a toda a humanidade. No entanto, não devemos nunca
partir do princípio de que são estes símbolos universais que aparecem
nos nossos sonhos. É importante tentar definir o nosso próprio
simbolismo.
Apesar de os sonhos serem essencialmente visuais, as
imagens que utilizam baseiam-se muitas vezes em jogos de palavras,
provérbios e metáforas. Convém ainda recordar que os significados dos
sonhos podem alterar-se, em particular, numa época em que a comunicação
social se tornou tão importante como hoje. Qualquer significado «geral»
pode, de facto, mudar, devido à popularidade de um filme onde aparece,
de uma série de televisão ou de uma imagem publicitária. Por exemplo, a
palavra madonna, que designa a Virgem Maria em inglês, está hoje igualmente associada a uma conhecida cantora pop americana.
Por curiosidade, saiba que há um conjunto de trinta e oito postais, desenhados em Inglaterra em 1840, onde cada um deles apresenta a interpretação de um sonho acompanhada de uma ilustração divertida.
Os sonhos premonitórios
Muitas pessoas pensam que é possível sonhar com o futuro. Os sonhos podem, de facto, avisar sobre possíveis acontecimentos futuros, mas algumas pessoas tendem simplesmente a considerar estes sonhos como uma coincidência e não como sonhos premonitórios.
Sonhar com um velho amigo na noite que precede um encontro fortuito com ele é uma situação bastante comum. No entanto, é difícil saber se nos limitámos a prever esse contacto ou se o amigo «recebeu» o nosso sonho. Os dois acontecimentos podem estar ligados ou ser puramente coincidentes.
Acontecimentos previstos em sonhos
Muitas pessoas afirmam ter sonhado que o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, viria a ser assassinado antes de tal acontecer — se bem que infelizmente ninguém pareça ter tomando nota do seu sonho antes do assassínio. Entre os milhões de sonhos que foram sonhados pelos americanos nas semanas que antecederam o dia 22 de Novembro de 1963, muitos terão incluído um automóvel caro, alguns o Presidente, e um pequeno número certamente a sua morte violenta. impossível saber quantos destes sonhos eram de facto premonitórios.
Segundo um amigo de Abraham Lincoln, este sonhou com o seu próprio assassínio anos antes de ter ocorrido. Lincoln sonhara ver um corpo na Casa Branca. Tendo perguntado de quem se tratava, disseram-lhe: «O Presidente, morto por um assassino.»

As pessoas que têm sonhos premonitórios
Muitas
pessoas sonham com um desastre, como a queda de de um avião, e mudam de
voo por causa disso. Se o desastre corre, tendem naturalmente a pensar
que foram salvos pelo seu sonho. Pergunta-se, no entanto, por que razão
só essa pessoa é salva pelo sonho — de facto, é provável que muitas
pessoas tenham este tipo de sonhos sem que nada aconteça na realidade.
Algumas
pessoas parecem mais capazes de prever o futuro nos seus sonhos e
preocupam-se em manter registos cuidadosos dessas suas previsões. Se
tiver um sonho que o perturbe, resuma-o num papel, escreva a data e
guarde uma cópia selada num lugar seguro. E faça-o antes de o sonho se
tornar realidade, não depois.
Os sonhos divinos de São Tomás de Aquino
O filósofo S. Tomás de Aquino (1224-1274) distingue entre as revelações divinas e os sonhos «supersticiosos». Segundo ele, «todos os homens sabem por experiência que os sonhos contêm alguma indicação quanto ao futuro. É portanto fútil negar a eficácia dos sonhos em adivinhação».
Alcançar a lucidez nos Sonhos
A lucidez nos sonhos é um fenómeno explorado por muitas pessoas e pode ser considerado de dois pontos de vista.
Numa hipótese, alguém que tem consciência do sonho quando está a sonhar e é capaz e afetar a evolução desse sonho; a outra via é quando um sonhador lúcido procura conseguir ambas as coisas deliberadamente. A nossa mente é um armazém de imagens e acontecimentos imaginários. Se podemos decidir o que queremos pensar quando estamos acordados, deveria ser possível dispor de um controlo semelhante enquanto estamos a dormir.
Como alcançar a lucidez nos sonhos
Apesar de parecer improvável, é possível controlar os nossos sonhos. Em primeiro lugar deve-se tomar uma decisão quanto ao local onde o sonho se deverá passar. Em seguida deve-se definir um sinal — algo que nos recorde durante o sonho de que se trata precisamente de um sonho. Um sinal possível será olhar para a mão durante o sonho; se este tiver sido o sinal previamente definido, é provável que se recorde o facto ao sonhar.

Quando adormecemos tentamos imaginar o local desejado de uma forma tão clara quanto possível; se conseguirmos «chegar» ao local no nosso sonho teremos já conseguido algum controlo sobre ele. Se olharmos para a nossa mão, recordaremos então que se trata de um sonho e não da realidade. Ainda durante o sonho, tente rodar a mão examiná-la. Trata-se de um ato consciente e se for possível executá-lo conseguirá igualmente escolher para onde quer ir e o que irá fazer ou dizer no seu sonho.
Os sonhadores «lúcidos» mais experientes poderão combinar com outros encontrar-se num determinado local — e nos seus sonhos encontram-se de facto e falam entre si. Alguns afirmam que quando comparam as suas recordações no dia seguinte sonharam todos com o mesmo local, as mesmas pessoas e até tiveram a mesma conversa.
A arte inconsciente
O surrealista espanhol Salvador Dali (1904-1989) afirmava que o seu trabalho só poderia ser apreciado pelo inconsciente. Utilizava uma definição fotográfica para descrever paisagens e figuras contorcidas, que parecem simultaneamente familiares e típicas de um pesadelo.
Sonhos criativos que fizeram história
Muitos artistas e cientistas encontraram nos sonhos inspiração para o seu trabalho. Isto acontece porque o inconsciente pode aceitar ideias que o consciente rejeita por parecerem demasiado estranhas.
Um poema inspirado num sonho
Os artistas usaram durante séculos nas suas obras as ideias que os seus sonhos lhes sugeriram. Uma tarde, o poeta Samuel Taylor Coleridge (1772-1834) adormeceu pensando na corte de Kubla Khan. Quando acordou descobriu que tinha centenas de linhas de um poema na cabeça, e começou imediatamente a escrevê-las. Ao fim de 54 linhas foi interrompido por «uma pessoa com um assunto de Porlock» — e quando voltou à sua secretária o resto do poema tinha desaparecido completamente da sua mente.

Voltar ao mesmo sonho
Robert Louis Stevenson (1850-1894) conseguia voltar noite após noite ao mesmo sonho. Sonhava com um certo Mr. Hyde que tomava um pó e se metamorfoseava no Dr. yekyll. Esta imagem do filme Dr. Jekyll and Mr. Hyde, rodado em 1931, mostra Mr. Hyde preparando o produto que usará para a metamorfose.
Sonhos inspiradores
Uma pintura intitulada Visão num Sonho, deve-se a Albrecht Dürer (1471-1528). Também pode permitir que os seus sonhos inspirem o seu trabalho criativo: se sonhar com um determinado local, tente desenhá-lo ou escrever uma descrição dele ao acordar.
Casos que marcaram a História
Depois
de discutir histórias sobrenaturais com Percy Bysshe Shelley, Lord
Byron e o médico deste, Mary Shelley (1797--1851) deitou-se e teve um
sonho. No dia seguinte começou a escrever Frankenstein ou o Prometeu Moderno, baseando-se no sonho da noite anterior.
Também
os cientistas têm sido inspirados pelos seus sonhos. O químico alemão
Friedrich Kekulé (1829-1896) visualizou a estrutura molecular do benzeno
depois de sonhar com uma fiada de átomos de carbono e hidrogénio
fechando-se em anel, de modo parecido a uma serpente engolindo a própria
cauda.
A interpretação dos sonhos em Sigmund Freud
A análise dos sonhos tornou-se aceitável em termos intelectuais, graças a Freud. Graças a ele, os símbolos que aparecem nos sonhos referem-se a verdades desagradáveis. Contudo, os seu modo de interpretar os sonhos tem sido muito criticado.
Depois de se ter formado em neurologia, Sigmund Freud (1856- -1939) começou a praticar aquilo a que mais tarde se veio a chamar psicanálise. Inicialmente, e baseando-se nas experiências do seu colega Josef Breuer (1842-1925), utilizou a hipnose para tratar casos de histeria. Substituiu-a depois pela técnica das associações livres, começando a explorar os sonhos dos seus doentes à procura de soluções para os problemas deles.
A teoria freudiana e a análise dos sonhos
Freud pensava que os sonhos se referiam à satisfação de desejos — nos nossos sonhos representamos os nossos desejos mais profundos que, no caso de um adulto, são quase sempre sexuais. No entanto, como estes desejos podem ser ofensivos para o nosso consciente, a censura do superego procura disfarçar as nossas verdadeiras intenções. A dificuldade de compreensão dos sonhos, segundo Freud, «deve-se a alterações feitas pela censura no material reprimido». No entanto, esta teoria não explica a razão porque podemos ter um sonho muito disfarçado numa noite e outro muito mais simples sobre a mesma atividade no dia seguinte.
Críticas à teoria freudiana da análise dos sonhos
As ideias de Freud são bastante problemáticas, mas ele foi um dos primeiros pensadores modernos a alisar o simbolismo dos sonhos. Um dos erros de Freud terá sido analisar praticamente todos os símbolos dos sonhos em termos puramente sexuais. Os detratores de Freud afirmam ainda que as suas teorias, fundamentadas nos resultados que obteve a partir de doentes afetados psicologicamente, não se aplicam universalmente. No entanto, Freud foi de facto o fundador da psicanálise, criando as bases a partir das quais esta se desenvolveu.
Contributo de Freud para a psicanálise
Freud codificou e popularizou várias ideias já existentes sabre a interpretação dos sonhos, mas a teoria de um super-ego censor, que reprime ou disfarça os desejos do subconsciente, foi desenvolvida por ele.
O sofá dos sonhos
Os pacientes de Freud deitavam-se num sofá enquanto lhe contavam os seus sonhos. Para os analisar, Freud sentava-se por Irás deles, para não perturbar a concentração dos doentes.
Visões e visionários
Muitas pessoas afirmam ter tido visões, especialmente de natureza religiosa. Apesar do fantástico e do surreal aparecerem muitas vezes nos nossos sonhos, quando os vemos acordados tendemos a duvidar do nosso estado mental.
Joana d'Arc teve desde os 13 anos visões de santos. Ouvia vozes que lhe diziam para servir o Delfim e expulsar o Inglês de França. Joana convenceu-se da sua missão divina, vestiu uma armadura branca e conduziu as tropas à tomada de Orleães. Carlos VII foi assim coroado rei de França em 1429. Joana d'Arc foi queimada em Ruão em 1431 acusada de heresia, mas acabou por ser canonizada em 1920.

A maior parte das visões religiosas envolvem a Virgem Maria. As visões religiosas mais conhecidas são as de Bernadette Soubrious, uma criança de 14 anos, em Lourdes, no ano de 1858, e as de três outras crianças perto de Fátima em 1917, em Portugal.
A febre do amor
Ao nono dia de febre, o poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321) sonhou que os anjos o conduziam à sua amada morta, Beatriz. Esta pintura, O Sonho de Dante, foi realizada por Joseph Noel-Paton (1821-1901).
O sono de uma santa
Joana d'Arc adormecida, de George William yoy (1844-1925). Joana d'Arc afirmava ter visões de santos e ouvir vozes que a convocavam para a sua missão divina. O êxito desta missão mudou o curso da história francesa.

Nas duas últimas visões de Fátima entre 30 000 e 70 000 pessoas viram uma estranha luz movendo-se no céu. Nunca será possível provar se se tratou de um fenómeno real ou de uma visão coletiva. Uma visão pode muitas vezes ler efeitos fortes e duradouros. Em 1823, Joseph Smith, um rapaz de 17 anos que trabalhava numa quinta americana, teve a visão de um anjo chamado Moroni que o informou de que numa colina próxima se encontravam enterradas várias placas em ouro. Miraculosamente, Joseph Smith encontrou e desenterrou as placas, traduziu as suas inscrições com a ajuda divina, e criou a igreja mormon que hoje possui cerca de seis milhões de membros no mundo.
As visões nem sempre são religiosas e são muitas as pessoas que afirmam ter recebido visitas de espíritos de amigos próximos ou familiares no momento exato em que morrem.
História da interpretação dos sonhos
Os sonhos constituíram uma fonte de fascínio durante séculos - desde a antiga crença de que os sonhos permitem prever o futuro, até a atitude mais moderna que procura determinar o significado dos sonhos.
Todos nós sonhamos durante três ou quatro períodos do nosso sono de todas as noites. Se conseguirmos recordar os nossos sonhos, notaremos que parecem ser apenas um amontoado de imagens sem qualquer sentido, por vezes ligadas a uma emoção bastante forte ou a uma história não inteiramente lógica mas com alguma coerência interna.
Algumas pessoas pensam que os sonhos são pensamentos aleatórios em torno dos quais a nossa mente constrói uma história; outros pensam que o nosso inconsciente conta histórias a si mesmo. Os sonhos já foram também considerados como mensagens de uma fonte espiritual, memórias do passado ou profecias do futuro.

A natureza livre dos sonhos perturbou muitos filósofos, incluindo Platão (c. 428-348 ), que escreveu que «em tos nós, mesmo nos homens, existe uma natureza bestial que espreita durante o sono».
Já na Idade Média, os eremitas que se retiravam da sociedade para se aproximarem de Deus pareciam ser particularmente afetados por sonhos eróticos. No entanto, estes sonhos eram muitas vezes considerados como tentações enviadas pelo Diabo, para desse modo afastar o eremita de Deus. Uma outra desculpa bastante conveniente para estes sonhos eróticos, era a teoria de que todos os sonhos significam exactamente o seu contrário —e portanto se o sonho era sexual podia ainda ser considerado como indicando uma pureza interior e uma alma imortal saudável.
Uma personificação do sono representada no século XVIII sugere que os sonhos abrem portas na nossa cabeça, permitindo-nos olhar para dentro delas.
Titânia Adormecida, era uma pintura de Arthur Wardle (1864-1949). O quadro representa uma cena da conhecida peça de Shakespeare intitulada Sonho de Uma Noite de Verão.
Os sonhos Bíblicos
A bíblia contém muitos exemplos de pessoas que desejam saber o significado dos seus sonhos, relacionando estes sonhos com as visões dos profetas e as mensagens de Deus.

Talvez o sonho bíblico mais conhecido seja o do faraó egípcio que sonha com as sete vacas gordas seguidas de outras sete magras que comem as primeiras. O faraó sonha em seguida com as sete espigas boas que são devoradas por sete espigas finas trazidas pelo vento de leste.
A interpretação que José faz destes sonhos é a de que se aproximam sete anos de Abundância em toda a terra do Egito, e que a eles se seguirão sete anos de fome. Ao ouvir esta interpretação, o Faraó encarrega José de prover armazenamento dos cereais, possibilitando assim ao Egito sobreviver durante os anos de fome (Génesis 41:1-32.)
A Bíblia contém ainda sonhos que ensinam e educam — Deus apresenta a Pedro a visão de de um grande navio, como «uma grande folha cosida nos quatro cantos... onde se encontravam todos os tipos de bestas de quatro patas existentes na terra, e animais selvagens, e coisas rastejantes, e aves do ar». Uma voz diz a Pedro que mate e coma, mas ele recusa-se dizendo: «Nunca comi nada que fosse comum ou não estivesse limpo.» A voz diz-lhe em seguida: «Não chames comum àquilo que Deus limpou.» (Actos 10:10-17 .)Este sonho ensina a Pedro que deve pregar não só aos judeus como também aos gentios.
Um pedido sábio
O sonhos de Salomão, por Giordano (1632-1705), mostra Salomão pedindo a Deus sabedoria — «um coração compreensivo para julgar o Teu povo, capacidade de discernimento entre o bem e o mal».
Os sonhos do Faraó
Estes sonhos eram proféticos, chamavam a atenção para uma calamidade futura que poderia ser evitada no caso de os sonhos serem interpretados corretamente e se realizarem as ações adequadas. O quadro ilustra José a explicar o Sonho do Faraó. Foi pintado por Jean Adrien Guignet (1816-1854).
Mundos oníricos e viagens xamânicas
Entrar num mundo onírico é entrar num mundo onde tudo pode acontecer. Um mundo mágico de possibilidades ilimitadas, onde o sonhador descobre que pode voar, mudar de forma, passar através de objetos sólidos ou nadar no sol. Acontece onde, especialmente enquanto o sonho decorre, tudo parece tão real como a realidade que partilhamos no dia-a-dia. Nos mundos oníricos e viagens xamânicas o sonho é o modo do ser espiritual comunicar com o ser físico, transmitindo informação através de imagens alegóricas que se relacionam com a experiência e a vida do sonhador. Porque o mundo onírico interno reflete a vida exterior do sonhador, isso leva a que uma mudança na vida externa resulte numa mudança no mundo onírico.
Indo um pouco mais além, porque todos os mundos são oníricos, uma mudança no mundo onírico interno produzirá uma mudança no mundo externo. Por isso, esta prática de sonhar é também uma forma de magia. A ideia de que todos sonhamos a nossa existência não é nova e, por isso, se somos os criadores da existência temos, por extensão, a capacidade de a modificar através da mudança do sonho. Sonhar é uma atividade humana importante e mudar um sonho é um meio importante de alterar as circunstâncias, o comportamento e as respostas externas.

Na tradição e no espírito do xamanismo tradicional, o xamã reconhece a validade deste outro mundo e aceita que o mundo em que habitamos é uma paisagem onírica de outra realidade. É por isso que os xamãs podem realizar feitos mágicos ou sobrenaturais; eles conseguem entrar noutros mundos sempre que querem e projeta-los de tal forma que podem ser experenciados por um observador.
Todos nós temos a capacidade de viajar para outros mundos. E de facto isso é o que se faz todas as noites quando se sonha. Estes outros mundos são locais de infinitas possibilidades, onde a informação é transmitida num formato com o qual o viajante se consegue relacionar. Contrariamente aos sonhos, a viagem xamânica é uma viagem realizada com uma intenção consciente e um objetivo específico, tal como a obtenção de uma cura ou de uma nova compreensão. A viagem pode começar no espaço sagrado interior. Quando viaja noutro reino, é importante estar recetivo ao que possa acontecer e a qualquer coisa que possa encontrar. Confie na intuição e acredite que aquilo que vem ter consigo, seja o que for, é o que está certo. Deixe-se ir ao sabor da corrente e não tente forçar nada.
Trabalhar com os sonhos
Para trabalhar com um sonho com o objetivo de o alterar ou de o interpretar precisa de voltar a ele, trazendo de novo à memória, enquanto permanece relaxado e consciente. O relaxamento permite que a sua intuição flua mais livremente e habilita-o a usar a criatividade num maior grau. É esta interação da intuição criativa que lhe permite obter uma maior autocompreensão a partir dos sonhos, e realizar uma mudança benéfica que lhe permitirá seguir em frente.
Explorar a interpretação de sonhos
A interpretação que os sonhos estão a tentar transmitir pode ser adivinhada pela simples pergunta de quem é ou o que está no sonho. se conseguir praticar o sonho lúcido, as questões podem mesmo ser colocadas durante o sonho. se não for o caso, As perguntas podem ser feitas quando o recordar. Para determinar se consegue ou não sonhar de forma lúcida, procuro realizar um ato voluntário durante o sonho. Tente algo simples, como por exemplo, olhar para as mãos ou para os pés e ver o que pode fazer. Se acordar com a memória de um sonho, reveja-o novamente para o memorizar ou, ainda melhor, escreva-o imediatamente. se possível, volte logo a ele ainda que o possa fazer mais tarde.
Quando voltar ao sonho, questione gentilmente as personagens e os locais envolvidos. Aceite a primeira resposta que vem à mente, A exceção de esta ser «não». Além disso, não se deixa intimidade se uma personagem tentar fugir ou assusta-lo. se necessário, siga-as, pois elas levá-lo-ão à resposta.
Frequentemente, as personagens principais do sonho são manifestações de aspetos do sonhador. Por exemplo, os sonhos perturbadores, possivelmente envolvendo a morte ou algum tipo de violência, não significam necessariamente que algo mal vai acontecer as personagens envolvidas. em vez disso, as partes feridas representam mágoas, provavelmente por não lhes estar a ser possível expressarem-se livremente.
Anote os seus sonhos num diário, para consulta futura, pois estes podem levar a uma grande autocompreensão. Por isso, mantenha um bloco de apontamentos à cabeceira para apontar os seus sonhos enquanto estão frescos na memória, pois eles têm tendência a desvanecer-se rapidamente da consciência vigil.
Os mundos oníricos e viagens xamânicas são criações da imaginação nos sonhos onde tudo pode acontecer e são também uma forma de magia.





