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História da interpretação dos sonhos

 

Os sonhos constituíram uma fonte de fascínio durante séculos - desde a antiga crença de que os sonhos permitem prever o futuro, até a atitude mais moderna que procura determinar o significado dos sonhos.


Todos nós sonhamos durante três ou quatro períodos do nosso sono de todas as noites. Se conseguirmos recordar os nossos sonhos, notaremos que parecem ser apenas um amontoado de imagens sem qualquer sentido, por vezes ligadas a uma emoção bastante forte ou a uma história não inteiramente lógica mas com alguma coerência interna.

Algumas pessoas pensam que os sonhos são pensamentos aleatórios em torno dos quais a nossa mente constrói uma história; outros pensam que o nosso inconsciente conta histórias a si mesmo. Os sonhos já foram também considerados como mensagens de uma fonte espiritual, memórias do passado ou profecias do futuro.

Interpretação dos sonhos

A natureza livre dos sonhos perturbou muitos filósofos, incluindo Platão (c. 428-348 ), que escreveu que «em tos nós, mesmo nos homens, existe uma natureza bestial que espreita durante o sono».

Já na Idade Média, os eremitas que se retiravam da sociedade para se aproximarem de Deus pareciam ser particularmente afetados por sonhos eróticos. No entanto, estes sonhos eram muitas vezes considerados como tentações enviadas pelo Diabo, para desse modo afastar o eremita de Deus. Uma outra desculpa bastante conveniente para estes sonhos eróticos, era a teoria de que todos os sonhos significam exactamente o seu contrário —e portanto se o sonho era sexual podia ainda ser considerado como indicando uma pureza interior e uma alma imortal saudável.


Uma personificação do sono representada no século XVIII sugere que os sonhos abrem portas na nossa cabeça, permitindo-nos olhar para dentro delas.


Titânia Adormecida, era uma pintura de Arthur Wardle (1864-1949). O quadro representa uma cena da conhecida peça de Shakespeare intitulada Sonho de Uma Noite de Verão.


Os sonhos Bíblicos

A bíblia contém muitos exemplos de pessoas que desejam saber o significado dos seus sonhos, relacionando estes sonhos com as visões dos profetas e as mensagens de Deus.

Os sonhos do faraó egípcio

Talvez o sonho bíblico mais conhecido seja o do faraó egípcio que sonha com as sete vacas gordas seguidas de outras sete magras que comem as primeiras. O faraó sonha em seguida com as sete espigas boas que são devoradas por sete espigas finas trazidas pelo vento de leste.

A interpretação que José faz destes sonhos é a de que se aproximam sete anos de Abundância em toda a terra do Egito, e que a eles se seguirão sete anos de fome. Ao ouvir esta interpretação, o Faraó encarrega José de prover armazenamento dos cereais, possibilitando assim ao Egito sobreviver durante os anos de fome (Génesis 41:1-32.)

A Bíblia contém ainda sonhos que ensinam e educam — Deus apresenta a Pedro a visão de de um grande navio, como «uma grande folha cosida nos quatro cantos... onde se encontravam todos os tipos de bestas de quatro patas existentes na terra, e animais selvagens, e coisas rastejantes, e aves do ar». Uma voz diz a Pedro que mate e coma, mas ele recusa-se dizendo: «Nunca comi nada que fosse comum ou não estivesse limpo.» A voz diz-lhe em seguida: «Não chames comum àquilo que Deus limpou.» (Actos 10:10-17 .)Este sonho ensina a Pedro que deve pregar não só aos judeus como também aos gentios.


Um pedido sábio

O sonhos de Salomão, por Giordano (1632-1705), mostra Salomão pedindo a Deus sabedoria — «um coração compreensivo para julgar o Teu povo, capacidade de discernimento entre o bem e o mal». 

Os sonhos do Faraó

Estes sonhos eram proféticos, chamavam a atenção para uma calamidade futura que poderia ser evitada no caso de os sonhos serem interpretados corretamente e se realizarem as ações adequadas. O quadro ilustra José a explicar o Sonho do Faraó. Foi pintado por Jean Adrien Guignet (1816-1854).